PENTECOSTES, A FESTA DO DIVINO E A PAZ DAS NAÇÕES

A Festa do Divino Espírito Santo, ou a festa do Divino é uma das devoções mais antigas e difundidas no Brasil e alhures.
A origem se encontra no Portugal do século XIV. As primeiras notícias de sua instituição remontam a 1321.
O convento franciscano de Alenquer começou a celebrá-la sob a proteção da rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.
A Rainha prometeu ao Divino Espírito Santo peregrinar com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo.
Nessa peregrinação arrecadaria donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com seu filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono.

O pedido foi ouvido, a paz foi feita e a festa vem sendo renovada todo ano até hoje.

Na época medieval os Estados e os chefes de Estado, fossem eles monarcas, presidentes de repúblicas aristocráticas, burguesas ou populares faziam questão de promover a religião e os bons costumes.
Eles mesmos, enquanto chefes oficiais do país, praticavam a religião católica, participavam e até promoviam ativamente as devoções.
A Festa do Divino Espírito Santo acontecia no dia de Pentecostes, quer dizer cinquenta dias após a Páscoa.
Ela comemora a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e discípulos presentes no Cenáculo para celebrar a Missa.

Segundo tradição largamente aceita e promovida pela Igreja, Nossa Senhora estava também no Cenáculo, mas no recinto reservado às mulheres segundo o antigo costume judaico.

O Espírito Santo desceu com forma de línguas de fogo.
Segundo a tradição largamente assente desceu primeiro sobre Nossa Senhora e dEla se comunicou aos Apóstolos e aos discípulos.
Por isso na iconografia medieval é comum encontrar a imagem de Nossa Senhora sob o marco da porta que separava o recinto dos homens do das mulheres recebendo o Espírito Santo.
Porém, mais frequentemente ainda encontra-se Nossa Senhora no centro e os Apóstolos em volta dEla na hora de receber o Espírito Santo.

Os festejos do Divino são marcados pela esperança da promessa de Cristo de que o Espírito Santo viria e renovaria todas as coisas.
De fato, esse colossal evento foi o início da pregação da Igreja, da conversão dos povos e da evangelização que deve continuar até o fim dos tempos.
A grande devoção de comemorar a descida do Espírito Santo chegou ao Brasil nas primeiras décadas de colonização.
Hoje, a festa do Divino pode ser encontrada em praticamente todas as regiões do país, do Rio Grande do Sul ao Amapá.
Ela apresenta características diversas em cada local.

Mas mantém em comum os elementos sobrenaturais e os símbolos próprios como a pomba, símbolo do Espírito Santo, e a santa coroa dos reis católicos.

A coroação de imperadores nada tinha a ver com a investidura laica e seca dos chefes de Estado atual.
A Igreja Católica os coroava numa cerimônia religiosa e investia reis e imperadores de graças e dons sobrenaturais para exercer bem sua missão de governo, praticando as virtudes de um cristão exemplar.
A coroação mais antiga e mais carregada de simbolismo era a dos reis da França na basílica de Nossa Senhora em Reims.
Quando Clóvis, primeiro rei francês, foi batizado e coroado por São Remígio, uma pomba branca desceu do céu trazendo em seu bico uma ampola com um óleo misterioso, considerado santo. Com esse óleo foram ungidos todos os reis da França.

A conversão de Clóvis e sua coroação teve alguma analogia com Pentecostes.
O povo todo se converteu e os francos passaram a ser o braço armado da Igreja protegendo os pregadores que levavam o Evangelho aos demais povos da Europa, até então pagãos.

Por tudo isso a França foi chamada “filha primogênita da Igreja”.

 

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