SÃO FRANCISCO MARTO, CONFESSOR, E SANTA JACINTA MARTO, VIRGEM

No dia 13 de maio de 2017, centésimo aniversário da primeira aparição de Fátima, foram canonizados Jacinta e Francisco, os pastorinhos a quem Nossa Senhora apareceu naquela localidade. Por terem sido confidentes da Mãe de Deus e atingido a virtude heróica em tenra idade, alcançaram um renome autêntico e universal que só os Santos da Igreja Católica têm, transformando-se nos dois santos não mártires mais jovens do universo católico.

Francisco e Jacinta Marto, respectivamente o oitavo e nono filhos de Manuel Pedro Marto, o Ti Marto, e décimo e décimo primeiro de sua esposa, Olímpia de Jesus Santos (que tinha já dois filhos de um casamento anterior), nasceram no povoado de Aljustrel, pertencente à freguesia de Fátima.

Alma de artista, Francisco extasiava-se com as belezas da Criação: o céu estrelado, os riachos e fontes, as flores, e sobretudo o sol, para ele símbolo do poder de Deus. Contemplativo, entretinha-se com pouca coisa: bastava-lhe sua flautinha de bambu para que passasse horas dela tirando sons nostálgicos com saudades do Céu, ou alegres, para que Jacinta e Lúcia dançassem nos campos.

Francisco, antes das aparições, era inocente, preservado, com muita retidão de alma, mas talvez um pouco mole e acomodado, o que não o impedirá de ser misericordiosamente escolhido para confidente da Mãe de Deus, que entretanto lhe disse que precisava rezar muitos terços para ir para o céu.

Jacinta era, desde sua tenra idade, um lírio que se desabrochava para ser colhido pela Mãe de Deus.“Tenho esperança de que o Senhor, para glória da Santíssima Virgem, lhe concederá [à Jacinta] a auréola da santidade. Ela era criança só nos anos. No demais sabia já praticar a virtude e mostrar a Deus e à Santíssima Virgem o seu amor, pela prática do sacrifício… É admirável como ela compreendeu o espírito de oração e sacrifício, que a Santíssima Virgem nos recomendou… Por estes e outros [fatos] sem conta, conservo dela grande estima de santidade”. (Lúcia falando de Jacinta. O mesmo poderia ter ela afirmado também de Francisco).

Na primavera de 1916 a vida dos três alegres e despreocupados pastorinhos de apenas nove, oito e seis anos de idade iria sofrer brusca mudança: “Os corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz de vossas súplicas”, diz-lhes o Anjo de Portugal, o Anjo da Paz. “Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”. “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício ao Senhor em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores. …. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.

Este é um programa de santidade só pedido aos verdadeiros íntimos de Deus. E os três cumpri-lo-ão à risca e com fervor, sem lamúrias ou queixas nem pena de si mesmos, com verdadeira alegria e amorosa submissão. Inventavam mesmo os meios mais variados de se sacrificar.

Assim, aproximadamente um ano depois, estavam prontos para receber a visita da Rainha do Céu.

E Ela veio, não com agrados, não com meiguices, mas com seriedade, repetindo logo no primeiro encontro o convite à oração e ao sofrimento feito pelo Anjo. “Ides pois ter muito que sofrer. Mas a graça de Deus será o vosso conforto”.

Oração e sofrimento em reparação ao Imaculado Coração de Maria e Sagrado Coração de Jesus, tão ofendidos pela terrível apostasia da Humanidade. A extensão desse pedido, eles só iriam compreendendo aos poucos com o auxílio de uma graça especial.

Francisco era uma alma contemplativa do mais alto quilate: “Gosto mais de consolar a Nosso Senhor. Não reparaste como Nossa Senhora, ainda no último mês, se pôs tão triste, quando disse que não ofendessem a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido? Eu queria consolar a Nosso Senhor, e depois converter os pecadores, para que não O ofendam mais”.

Consolar a Deus, dar-Lhe alegria! Que altíssima meta! Que programa de vida! Isso é praticar de maneira sublime o Primeiro Mandamento, esquecendo-se de si e amando a Deus sobre todas as coisas.

No dia 23 de dezembro de 1918 os dois irmãozinhos adoeceram, vítimas da epidemia de bronca-pneumonia que atormentava a Europa. Mesmo durante a doença, continuaram a rezar e a sacrificar-se pelos pecadores.

Depois de muito sofrimento, no dia 4 de abril de 1919, sem que houvesse gemido ou contração do rosto, com um sorriso angélico nos lábios, Francisco foi de encontro à Santíssima Virgem, que o esperava de braços abertos.

Jacinta, após as Aparições, levou tão a sério sua missão de rezar pelos pecadores, que foi obsequiada com várias graças místicas. Teve visões proféticas, obteve curas e graças consideradas miraculosas, e conta-se mesmo dela um fato de bilocação, isto é, estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo.

A missão reparadora de Jacinta vai intimamente ligada ao Coração Imaculado de Maria. Quando Nossa Senhora mostrou o inferno aos três pastorinhos, disse-lhes: “Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores; para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. Jacinta foi, a seu modo, uma missionária dessa devoção.

Diz um autor que “O Senhor uniu Jacinta à sua Paixão dolorosa e às dores da Virgem do modo mais íntimo. E todas as graças de consolo que recebeu das várias visitas de Nossa Senhora, não foram impedimento para que essa Paixão acerba tocasse os limites do martírio mais horrível. Diríamos que, para ser modelo de vítima reparadora, Jacinta teve que passar por todas as noites dos sentidos e também do espírito sofrendo aquela temível solidão que ela tanto temia” (Pe. Joaquin Maria Alonso, Doctrina y espiritualidad del mesaje de Fátima, Arias Montano Editores, S.L., Madrid, 1990, pp. 333, 334).

Na sexta-feira, 20 de fevereiro, Nossa Senhora veio buscar Jacinta, que apesar de não ter completado os 10 anos, morreu abrasada no amor de Deus.

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