SANTO ODILÂO, ABADE DE CLUNY

Santo Odilão, Abade de Cluny

Um dos abades santos de Cluny, exerceu importante papel no esplendor da Idade Média.

Odilão nasceu no ano de 962. Quando ainda muito pequeno, ficou paralisado das pernas. Um dia em que seu pai viajava com toda a família, parou para descansar numa aldeia do caminho. Aproximando-se do altar de Nossa Senhora, o jovem pendurou-se na toalha, tentando levantar-se. Nesse momento, sentiu uma força misteriosa e pôs-se de pé. Desde então, Odilão teve particular devoção à sua celeste benfeitora, devoção essa que continuou até o fim de seus dias. Quando tinha 26 anos, recebeu a tonsura clerical, e pouco depois entrou para a Ordem de Cluny, governada então por São Maiolo.

Abade de Cluny, conselheiro de imperadores

Com apenas um ano de noviciado, Odilão foi admitido a professar na Ordem. Três anos depois, com a aprovação unânime dos monges, foi eleito abade.

Os biógrafos do santo abade descrevem-no assim: “Santo Odilão era magro e pálido, de cabelos escuros; mas os seus olhos tinham um brilho prodigioso, quase terrível. O som da sua voz vibrava como um sino longínquo, chamando os fiéis à oração. As suas palavras eram ao mesmo tempo doces e fortes, e penetravam os corações.” (1) Mas esse santo tão doce e compassivo odiava a adulação e a mentira, e castigava severamente os falsos irmãos.

Muito solicitado, empreendeu viagens frequentes pela França, Suíça, Alemanha e Itália. E enviou discípulos a várias províncias de França e de Espanha, para reformar a vida monástica, então decadente. “Fino diplomata, com uma diplomacia que brotava do espírito do Evangelho, Odilão empregou nos seus empreendimentos toda a força do poder humano. Foi auxiliar de papas, correspondente de quase todos os príncipes de seu tempo, conselheiro de imperadores.” (2) A imperatriz Santa Adelaide recomendava-se às suas orações.

Exército numerosíssimo e compacto às suas ordens

Santo Odilão podia contar, em todas as suas obras, com um exército numerosíssimo e compacto: a Ordem de Cluny, a que se haviam agregado mais de mil mosteiros e dez mil monges. Foi o que fez, por exemplo, na grande carestia que avassalou o reino da França em 1030.

Os mosteiros dirigidos por Odilão estavam abertos a todas as necessidades, e seus monges dedicaram-se a socorrer as vítimas da calamidade. Distribuiu ele entre os pobres todas as provisões do seu mosteiro, chegando mesmo a vender uma coroa de ouro que o imperador Santo Henrique havia dado à igreja de Cluny. Como havia necessidade de dinheiro para socorrer os flagelados, foi de castelo em castelo, de cidade em cidade, pedindo esmolas para eles. (3)

56 anos como superior da Ordem de Cluny

A época em que viveu Santo Odilão foi muito conturbada. São Pedro Damião descreve-a assim: “As guerras são tão numerosas, que a espada envia mais homens para o sepulcro que a enfermidade. O mundo inteiro parece um mar agitado pela borrasca. As discórdias e as vinganças, quais ondas gigantescas, agitam os corações. Mata-se, rouba-se, incendeia-se impunemente e a terra fica reduzida a uma espantosa esterilidade.” (4)

Por isso, Santo Odilão conseguiu, juntamente com o Beato Ricardo, abade de São Vanes, que aqueles homens belicosos respeitassem uma “trégua de Deus”, isto é, que a partir da tarde da quarta-feira até à manhã da segunda-feira, cessassem todas as hostilidades por respeito aos dias da semana em que tiveram lugar os últimos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Um dos inúmeros méritos de Santo Odilão foi o de ter instituído nos seus mosteiros um dia para se comemorarem as almas do Purgatório, logo depois da festa de Todos os Santos. Naquele dia, todos os seus mosteiros aplicariam as suas orações e penitências em favor dessas benditas almas, que padeciam nesse lugar de purificação.

Cheio de anos e de méritos, Santo Odilon faleceu no dia 1 de janeiro de 1049, aos 87 anos, 26 dos quais no mundo, cinco no claustro antes de ser abade, e 56 como superior da Ordem de Cluny. No ano de 1069 o seu túmulo foi aberto e o corpo do santo estava incorrupto. Entretanto, durante a nefanda Revolução Francesa, os seus restos mortais foram queimados, juntamente com as preciosas relíquias do tesouro da abadia de Souvigny, onde ele havia sido enterrado. P.M.S.

______________________________

Notas:

1. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo I, p. 40.

2. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo I, p. 18. Urbel, op. cit., p. 18.

3. Cfr. Les Petits Bollandistes, op. cit., pp. 34-35.

4. Urbel, op. cit., p. 19.

9. Cfr. Les Petits Bollandistes, op. cit., p. 41.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Show Buttons
Hide Buttons